quarta-feira, 21 de setembro de 2011

O Muro de Pedras

Tinha guardado, tão gulosamente como miúdo que olha contristado para o fundo do prato do seu doce predilecto e estica o tempo em que terminará o prazer de ter estado contente, as últimas folhas do livro "O Muro de Pedras" de Elisa Lispector, irmã de Clarice.
E já escrevi aqui do espanto, do sublime que foi a leitura, de um livro que é uma busca de amor que contém, afinal, a busca de Deus. 
Usando o pseudónimo de "Congonhas", de sabor caricato para a nossa pituitária fonética, foi a primeira vencedora do prémio Lins do Rego.
Talvez, nesta noite pungente, me faça companhia a frase «fazendo-se sofrer, ela se dava razão contra quem lhe infligia sofrimento» e se isto fosse um poema de amor e não uma nota breve de uma leitura extensa eu te diria que a nenhum mundo consentiria existência se dele houvesse sol ou lua que não fosse a escaldante alegria e a nocturna brisa do riso.
Retirei-a do livro, a frase, e a memória já vaga do que fui lendo, ficou, como a descrição de um lugar em que não sabemos dizer como era mas dizemos tudo dizendo «e é tão bom».
Agora sim, pronto para todos os seus livros, que venham do sebo, assim os consiga, guardarei este na estante, amavelmente com a promessa «não me nunca esquecerei de ti» porque não se esquece de quem nos faz feliz.

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